Os deputados bolsonaristas celebram a aprovação da urgência do PL da Anistia com orações e cânticos. Tudo registrado por dezenas de celulares para receber likes nas redes sociais.

Após a aprovação da urgência do projeto da anistia aos condenados pelos atos golpistas do 8 de janeiro, como é conhecido o Projeto de Lei (PL) nº 5064/2023, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL/MG) se juntou a aliados bolsonaristas na noite da última quarta-feira (17) para comemorar, em ritmo de culto, o ocorrido. Houveram cânticos religiosos cristãos no processo, em uma verdadeira blasfêmia, ao violar princípios da fé cristã.
"Senhor, nos ajude. Iremos até o fim", escreveu Nikolas nas redes sociais, anexando, abaixo, um vídeo em que parlamentares da oposição rezam em conjunto, em um círculo.
Blasfêmia é o ato de "mencionar o nome de Deus em vão", principalmente para celebrar a aprovação de uma PL como tal porque, de acordo com os registros cristãos, há uma mistura do sagrado e da fé num geral a defesas de crimes - crimes estes contra a ordem democrática e que já foram, em boa parte, julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
É necessário lembrar que os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 foram marcados por violência, destruição e desrespeito às instituições, além de depredação do patrimônio público — práticas incompatíveis com valores de justiça, verdade e responsabilidade moral tradicionalmente associados ao Deus cristão.
Entre as quatro passagens bíblicas que podem ser associadas à possível blasfêmia cometida, estão o Êxodo 20:7 (“Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão”), Isaías 5:20 (“Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal”), Provérbios 17:15 (“O que justifica o ímpio e o que condena o justo, abomináveis são para o Senhor”) e Mateus 7:21 (“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai”).
A proposta de urgência do PL foi aprovada por 311 votos a favor, com 163 contrários e 7 abstenções, na última quarta-feira (17). Destaca-se que, após a aprovação, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), ficou por alguns bons minutos tentando recuperar a ordem do plenário, já que a oposição iniciou registros de vídeos e comemorações excessivas.
As legendas alinhadas ao bolsonarismo votaram de forma unânime na urgência, como PL, Avantes, Novo, Cidadania e PDR. O Republicanos, partido do presidente da Câmara, Hugo Motta (PB) e do governador paulista Tarcísio de Freitas, teve 40 votos favoráveis e um contrário, do deputado Fernando Monteiro (PE). Os partidos do Centrão votaram divididos, e as legendas de esquerda estavam unidos na rejeição ao projeto. Veja como votou cada parlamentar.
Entenda a polêmica do PL da Anistia
Mesmo diante dessa rejeição social, com 57,3% dos brasileiros contra o PL da Anistia de acordo com pesquisa da AtlasIntel, os setores bolsonaristas no Congresso se movimentam para tentar reverter a derrota jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi condenado no Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da trama golpista.
O Projeto de Lei nº 5064/2023, de autoria do general Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente e companheiro de chapa de Bolsonaro em 2022, busca conceder anistia ampla, geral e irrestrita aos investigados e condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A proposta, apresentada como gesto de “pacificação nacional”, é vista por juristas e movimentos democráticos como uma tentativa de desmoralizar as decisões do STF e de abrir caminho para a impunidade dos golpistas.
O avanço dessa articulação ocorre em paralelo a uma consulta pública no Senado, que já contabiliza mais de 677 mil votos contrários contra cerca de 596 mil favoráveis, uma diferença de cerca de 13,6% a favor do “Não”. A participação expressiva da sociedade demonstra que a maioria dos brasileiros rejeita qualquer anistia que possa apagar os crimes cometidos por Bolsonaro e seus aliados.
Na Câmara, há também um projeto que visa conceder anistia a Bolsonaro e aos golpistas, de autoria do líder do PL, o deputado Sóstenes Cavalcante, cujo regime de urgência, segundo sinalizações do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi votado na última quarta (17). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PL) avisou que vetará qualquer projeto de anistia aos golpistas e ao ex-presidente Jair Bolsonaro que venha a ser aprovado pelo Congresso Nacional.
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